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Teoria do Apego

Dra. Rita Flórido


Bowlby iniciou sua carreira como profissional de saúde estudando o efeito da privação e da separação materna nos filhos. A teoria do apego descreve e explica o trauma da privação, perda, rejeição e abandono por parte daqueles que mais necessitamos e o enorme impacto que isso causa. Bowlby verificou que esses estressores traumáticos e o consequente isolamento tem um impacto tremendo na formação da personalidade e na habilidade da pessoa em lidar com os outros estresses na vida.

APEGO - 10 PRINCÍPIOS DA TEORIA DO APEGO

1 – Apego é uma força Motivadora Inata

A procura e manutenção do contato com outros significativos é um principio motivador, inato e primário nos seres humanos. A dependência (hoje considerada patológica em nossa cultura) é uma parte inata do ser humano e não uma ultrapassada característica infantil.

2 – Dependência segura complementa a Autonomia

Não existe independência completa dos outros e sim a dependência eficaz e a ineficaz. A dependência segura promove autonomia e autoconfiança.
Saúde, significa manter um senso de interdependência.

3 – Apego oferece um Porto Seguro

A presença de figuras de apoio propicia conforto e segurança. A proximidade com a pessoa querida tranquiliza o sistema nervoso (Schore, 1994). É o antídoto natural para os sentimentos de ansiedade e vulnerabilidade, é um amortecedor contra os efeitos do estresse e da incerteza (Mikulincer, Florian e Weller, 1993).

4 – Apego oferece uma Base Segura

O apego seguro também proporciona uma base segura a partir da qual os indivíduos podem explorar seu universo e responder de modo mais adaptado o seu meio ambiente. Encoraja a exploração e a abertura cognitiva a novas informações (Mikulincer, 1997). Os indivíduos são mais capazes de buscar e dar apoio aos outros e de lidar com o conflito e o estresse de forma positiva.

5 – Acessibilidade e Receptividade constroem vínculos

Os tijolos dos vínculos seguros são a acessibilidade e a receptividade emocionais.
Uma figura de apego pode estar fisicamente presente, mas emocionalmente ausente. O sofrimento pela separação advém da avaliação de que essa figura de apego está inacessível. O compromisso emocional e a confiança de que este compromisso estará lá quando for necessário é crucial.

6 – Medo e Incerteza ativam as Necessidades de Apego

Quando um indivíduo  está ameaçado (doença, ou agressão à segurança dos próprios laços de apego, um afeto poderoso surge, quando as necessidades de apego por conforto tornam-se salientes e urgentes e os comportamentos de apego, como a procura por proximidade, são ativados. O apego às pessoas-chave é nossa “proteção principal contra sentimentos de desamparo e ausência de significado” (McFarlane e van der Kolk, 1996).

7 – O Processo de Sofrimento pela Separação é Previsível

Se os comportamentos de apego falham em evocar a resposta de conforto e contato por parte das figuras de apego, ocorre um processo prototípico de protesto raivoso, agarramento, depressão e desespero, culminando, eventualmente, em desapego. A depressão é uma resposta natural à perda da conexão. Bowlby (1969, 1973, 1980) observou que, muitas vezes a raiva em relacionamentos próximos era uma tentativa de fazer contato com uma figura de apego inacessível e diferenciou a raiva de esperança da raiva de desespero, que se torna desesperada e coercitiva . Nos relacionamentos seguros, o protesto diante da inacessibilidade é reconhecido e aceito (Holmes, 1996).

8 – Podem ser Identificadas Formas de Relacionamento de Apego Inseguro

As respostas de apego parecem estar organizadas ao longo das duas dimensões, a ansiedade e a evitação (Fraley e Waller, 1998). Quando a conexão com uma pessoa insubstituível está ameaçada, o agarramento ansioso, a perseguição e, até mesmo, tentativas agressivas para obter a resposta da pessoa amada se agravam. A segunda estratégia é desativar o sistema de apego e reprimir suas necessidades. Uma terceira estratégia insegura foi identificada, como uma combinação de busca por proximidade com resposta de medo e evitação da proximidade quando esta for oferecida. Aqui, os outros são a fonte e a solução do medo.

9 – O Apego Envolve Modelos Funcionais do Eu e do Outro

As estratégias de apego refletem formas de processar e lidar com a emoção. As pessoas com apego seguro acreditam que os outros serão receptivos, quando necessário, e tendem a ter modelos funcionais dos outros como dignos e merecedores de confiança. Esses modelos envolvem objetivos, crenças, estratégias e estão impregnados de emoção. Modelos funcionais são formados, elaborados, mantidos e, o mais importante para o terapeuta da família e casal, transformados por meio da comunicação emocional.

10 – Isolamento e Perda são Inerentemente Traumatizantes

O apego é essencialmente uma teoria de trauma (Atkinson, 1997; Johnson, 2002).