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A Relação Entre Padrastos E Madrastas Com Os Enteados(as) No Recasamento

Dra. Rita Flórido


“A taxa de divórcios no Brasil subiu 200% entre 1984 e 2007, segundo dados da pesquisa "Estatísticas do Registro Civil 2007", divulgada nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o índice passou de 0,46 divórcio para cada grupo de mil habitantes para 1,49 divórcio por mil habitantes. Em números absolutos, os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342, em 2007”.

Segunda tentativa

“De acordo com o IBGE, o percentual de mulheres solteiras que se casaram com homens divorciados passou de 4,1% para 6,2% entre 1995 e 2005.

Já o percentual de mulheres divorciadas que se uniram legalmente com homens solteiros cresceu de 1,7% para 3,1%. Os casamentos entre cônjuges divorciados também aumentaram de 0,9% para 2,0%.”

Diante dessas notícias, inicia-se todo um estudo para repensar a constelação familiar atual dentro da área de Terapia de Casal e Família.

Cada dia mais pessoas se divorciam do primeiro, do segundo e até do terceiro casamento deixando filhos destas relações. A maioria volta a se casar, crendo que o primeiro divórcio aconteceu por uma má escolha do parceiro ou outro problema. Casar de novo pode trazer consigo esperança em relação ao casamento e à família, mas também pode trazer muitos conflitos, especialmente no relacionamento entre madrasta/padrasto e enteados(as).

Os maiores problemas apresentados nessas “novas” famílias não são problemas econômicos embora possam gerar muitos conflitos, mas, são as idéias tradicionais acerca do papel da mulher as fontes geradoras de maiores problemas.

No caso do casamento entre um homem e uma mulher com filhos de relações anteriores, é sempre esperado que a mulher “entenda” as culpas e raivas do marido com relação ao primeiro casamento; “consertar” a infelicidade dos filhos dele, mesmo se eles a odeiam; enfrentar as intromissões da ex-mulher e as de seu próprio ex-marido, gerir a expectativa com relação ao relacionamento de seus próprios filhos e o padrasto e com o pai... esta mulher está fadada a tornar-se uma esposa insuportável e uma madrasta incapaz. É papel do pai introduzir a nova mulher na relação com os filhos e fazê-los respeitá-la e estabelecer as regras da vida em comum. Assegurar que ela não vai fazer o papel da mãe, deve ser amiga. O pai deve, também, estar certo que o novo relacionamento irá se instalar lentamente e deixar a ilusão que a relação será maravilhosa de início.
 Muito comum é o fato de a mulher entrar em competição com os filhos (e vice-versa) pela atenção do marido, o que, aliás, é motivo de freqüentes queixas em terapia. Nesses casos, também é importante a intervenção do pai, delimitando claramente o lugar e papel que cada um tem na nova família.
De início a reações dos filhos são: Hipersensibilidade à mudanças, comportamento regressivo, rebeldia, dificuldades escolares, manipulação dos pais, lealdade aos pais verdadeiros, desejo que os pais se reconciliem.
A reação dos adultos são: Culpa por sentir que fez os filhos sofrerem,  mimar demais os filhos em função desta culpa para evitar que eles sofram mais e não conseguir dar limites aos filhos.
Preparação emocional para a nova família: Considerar que os filhos não desejavam esta mudança e são “obrigados” a grandes alterações em suas vidas, principalmente, caso ainda morem com os pais da família original; discutir com os filhos a entrada no novo membro na família; planejar a mudança de casa (se for o caso) com a participação dos filhos e também a mudança de escola; manter acesso fácil para o progenitor que não vive com a criança.
Cuidados nessa fase de transição: Informar os filhos com antecedência do que vai acontecer considerando suas opiniões; estar atentos aos sinais de tristeza, de receio de abandono; nunca falar mal do progenitor que já não pertence à nova família, não satisfazer a curiosidade a respeito do ex-cônjuge através dos filhos após as visitas; dar atenção à relação entre os filhos e o novo membro casal; os filhos que não moram com a nova família não podem ficar de lado, sempre que possível o progenitor deve ter um tempo a sós com eles e procurar incluí-los, mas, o espaço conjugal deve ser preservado
Com a nova família instalada é preciso saber que o processo de adaptação deve ser vivido com tolerância de todos e considerar que o risco dessa família se romper é maior – o percentual de divórcios nessas famílias é maior que a família do primeiro casamento, que sua complexidade aumenta o risco de disfuncionalidade.
Existe uma complexidade nessas “novas” famílias que precisam ser tratadas, muitas vezes, com especialistas: psicólogos e terapeutas familiares. Não deixe os problemas se agravarem a ponto de ficar inviabilizada a recuperação.