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Artigos

  • Dra. Rita Flórido


    O Transtorno do Pânico se tornou um diagnóstico oficialmente reconhecido em 1980. Antes, muitas palavras descreviam os sintomas, mas não havia uma sistematização do diagnóstico do transtorno, o que acarretava prejuízo ao seu tratamento e prevenção.

    Existe uma diferença entre Ataque de Pânico e Transtorno de Pânico.

    No Ataque de Pânico há períodos súbitos de pavor com uma sensação inexplicável de desgraça iminente acompanhados de vários sinais e sintomas físicos e cognitivos, como taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), tremores, suor excessivo, falta de ar, dor ou desconforto no peito (que leva a pessoa a suspeitar de um ataque cardíaco), náusea, formigamento, ondas de calor, sensação de tontura ou desmaio, sensação de que o ambiente está alterado ou irreal, medo de perder o controle ou enlouquecer e medo de morrer. Esses sintomas se desenvolvem abruptamente e têm seu pico em torno de 10 minutos. O Ataque, em geral dura de 20 a 40 minutos e é seguido de sensação de cansaço ou fraqueza.

    No Transtorno de Pânico, os ataques de pânico são recorrentes e inesperados durante um mês e seguidos de preocupação persistente de ter outros ataques, preocupação com implicações ou suas conseqüências e alteração comportamental relacionada aos ataques.

    Outro sintoma que pode surgir é chamado de agorafobia, ou seja, a pessoa evita, ou enfrenta com intensa ansiedade, lugares ou situações em que a fuga pode ser difícil ou em que pode não haver ajuda disponível. As pessoas, muitas vezes se sentem menos ansiosa se estiverem com um acompanhante.

    Cerca de 4% da população apresentam Transtorno de Pânico em algum momento de sua vida. As mulheres têm duas a três vezes mais chances de serem afetadas do que os homens. A idade de início situa-se entre o final da adolescência e a quarta década de vida. Um pequeno número de casos começa na infância. Após os 45 anos é incomum mas pode acontecer.

    Outros transtornos podem estar associados ao Transtorno de Pânico. Por exemplo, 40 a 80% dos pacientes com transtorno de pânico apresentam também depressão.

    Fala-se em causa multifatorial: predisposição genética e fatores ambientais.

    O tratamento indicado, hoje, é psicoterapia e psicofarmacoterapia. Isto é, quando houver suspeita de Transtorno do Pânico, a pessoa deve ser encaminhada a um profissional da área psi: psiquiatra ou psicólogo, que, conhecedores das psicopatologias, podem confirmar o diagnóstico e fazer as orientações pertinentes.  O tratamento farmacológico é sempre feito pelo psiquiatra, que também é médico e pode prescrever medicamentos que podem aliviar de imediato alguns sintomas. Mas o tratamento deve ser feito concomitantemente com um psicólogo que o ajudará na compreensão dos sintomas e com técnicas específicas para cada caso.

    O apoio familiar é fundamental, pois, muitas vezes, os sintomas são confundidos com manipulações e não são. O familiar que souber entender e ajudar a pessoa na hora em que apresentam os ataques será de grande valia. Também será importante apoiá-los durante o tratamento pois, em alguns casos, até sair de casa poderá estar difícil.

     

  • Dra. Rita Flórido

    "As peças de um celular, como as de qualquer aparelho eletrônico, têm um tempo limitado de vida – não estranhe, portanto, se um dia seu smartphone parar de funcionar. Encontrar quem o conserte por um preço razoável não é fácil. Se você estragou seu telefone, a garantia já venceu e, pelo que estão pedindo para arrumá-lo, valeria mais a pena comprar um novo.” - Revista Veja 12 de set de 2012.

    Será que isso está acontecendo também em nossos relacionamentos?

    Nessa cultura que apela para a superficialidade nos mais diversos níveis, que não suporta investimentos a longo prazo e onde se estimula o consumo e o descarte, também aí estaria inserido o amor e as relações conjugais?

    O sexo, foi isolado de outras formas e aspectos do relacionamento, passa a cultivar o “acumulador de sensações” e “consumidor de impressões” (Bauman), no reino da coleção de experiências cujo critério é a adequação individual e aptidão corporal desprovido dos direitos adquiridos, laços protegidos e deveres assumidos. O sexo saiu da casa familiar para a rua, onde apenas os transeuntes acidentais encontram quem – enquanto encontram – sabe que mais cedo ou mais tarde (antes mais cedo do que mais tarde) seus caminhos são obrigados a se separar novamente. Sites de relacionamento? Milhões de pessoas online, em prateleiras para serem escolhidas e logo depois descartadas...

    Os indivíduos são socialmente empenhados em primeiro lugar, como consumidores e não produtores. Nesse contexto, o “até que a morte os separe” perde sua utilidade, tornando-se até “disfuncional”. O espectro do sexo, agora, assombra os escritórios das empresas e as salas dos grupos de estudo dos colégios. Um professor precisa manter aberta a porta de seu escritório sempre que garotas estudantes venham consultá-lo. Logo percebe que tem que o fazer também com os rapazes para evitar acusações de assédio sexual.

    O resultado total é o rápido definhamento das relações humanas, despindo-as de intimidade e esmorecimento do desejo de entrar nelas e/ou conservá-las vivas. Primeiro, o amor erótico foi reduzido a sexo; depois em nome da purificação das intenções sexuais impuras, a parceria é “purificada” do amor.

    - Pós-modernidade:

    Em 1930 foi publicado em Viena o livro de Freud, conhecido em português como “O MAL-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO”, um desafio provocador ao folclore da (então) modernidade que penetrou em nossa consciência coletiva e, modelou o nosso pensamento a propósito das consequências da aventura moderna. Sabemos, agora, que era a história da modernidade que o livro contava. Modernidade é mais ou menos beleza (essa coisa inútil que esperamos ser valorizada pela civilização), limpeza (a sujeira de qualquer espécie parece-nos incompatível com a civilização) e ordem (“Ordem é uma espécie de compulsão à repetição que, quando um regulamento foi definitivamente estabelecido, decide quando, onde e como uma coisa deve ser feita”), ordem esta que contrapõe id e superego.

    A civilização/ modernidade, como diz Freud, “impõe grandes sacrifícios” à sexualidade e agressividade do homem. A sociedade é prioridade, acima do individual. A civilização é contrária aos instintos.

    Freud falou em termos de “compulsão”, “regulação”, “supressão” ou “renúncia forçada”. Esses os mal-estares que eram a marca registrada da modernidade resultaram do “excesso de ordem” e sua inseparável companheira – a escassez da liberdade.

    Agora é a hora de desfazer as regulamentações! O princípio de realidade, hoje, tem que se defender no tribunal de justiça onde o juiz é o princípio do prazer.

    Hoje, a liberdade individual reina soberana. É o valor pelo qual todos os outros valores vieram a ser avaliados acerca de todas as normas e resoluções individuais devem ser medidas. Na pós-modernidade, a liberdade individual, outrora uma responsabilidade e um problema para todos os edificadores da ordem, tornou-se o maior dos predicados e recursos na perpétua autocriação do universo humano. Os homens e as mulheres pós-modernos trocaram um quinhão de suas possibilidades de segurança por um quinhão de felicidade. Os mal-estares da pós-modernidade provêm de uma espécie de liberdade de procura do prazer que tolera uma segurança individual pequena demais. É a vez de a segurança ser sacrificada em nome da liberdade individual. Se obscuros e monótonos dias assombravam a segurança, noites insones são a desgraça dos livres.

    O que chamamos felicidade vem da satisfação de necessidades represadas até um alto grau e, por sua natureza, só é possível como fenômeno episódico. A reavaliação de todos os valores é um momento feliz, estimulante, mas os valores reavaliados não garantem um estado de satisfação.

    – Relações Conjugais

    Como as Relações Conjugais encontram-se hoje? Reinam as Relações Descartáveis!

    Vamos tentar refletir sobre dois opostos: a facilidade em se desvencilhar de possíveis laços amorosos x a total impossibilidade de não tê-los.

    A clínica de observação de bebês demonstra a falta de delimitação entre o Eu o o Outro. Nesse clima fusional que o bebê vai, aos poucos, se diferenciando. É através da ausência do outro é que anseia por reaver o prazer e a segurança que o outro pode oferecer a ele. A percepção do outro se dá num contexto que alterna presença e ausência. A ausência desse outro equivale a uma sentença de morte! E, por sua vez, a presença do outro confiança e bem-estar.

    O desejo pelo outro se estabelece, pela presença, pelo cuidado, pelo amor. Surge aí o desejo de ser desejado. E isso permanece vivo dentro de cada ser humano, para todo o sempre. Surge um Eu, único, valioso e digno – capaz de amar e de ser amado. Isso leva o adulto a se aproximar de pessoas que lhe permitam viver (ou reviver) relações de confiança e mutuamente prazerosas.

    Quando as vivencias mais precoces foram marcadas por excessos de frustrações, por enganos e mentiras, as relações quando adultos tendem a repetir o modelo levando a conflitos estéreis, perdas constantes e insucessos amorosos.

    Narcisismo

    O mito grego nos relata o triste fim de Narciso, ao sucumbir nas águas do lago onde inclinava-se para apreciar sua deslumbrante beleza. Narciso não tem olhos e nem ouvidos para ninguém. Ao seu lado, oculta entre as sombras está Ninfa Eco, por ele apaixonada. Sua voz ecoa incapaz de ter um retorno verdadeiro. Narciso e Eco tornam-se os representantes da tragédia humana, quando “eu” e “tu” mostram-se impossibilitados de construir o vínculo do amor. Independente se quem é Narciso e Eco.

    Na relação a dois, o “outro” é considerado como alguém que não é simplesmente a extensão do “eu”. Mas, são nessas relações que mais vemos em ação os mecanismos de defesa: projeção e identificação projetiva.

    Projeção é, como dizia Pearls, “quando julgamos estar diante de uma vidraça e estamos diante de um espelho”. A identificação projetiva implica um “reconhecimento”, ou uma “identificação”, do parceiro ideal para se encaixar em anseios e projeções pessoais a ponto de impedir o reconhecimento do outro como alguém que não é mera extensão de si mesmo, com identidade própria, particularidades, direitos e deveres.

    Aceitar o fato do “outro” não fazer parte do meu “eu” é aceitar esta representação concretamente e deixar isso repercutir em seus sentimentos e ações. Há quem não suporte a ideia de não reencontrar no presente o que anseia desde os seus primeiros anos de vida: ou a relação é mágica e plena como na fase simbiótica ou repete-se a des-ilusão, a dor, a raiva e a indignação. Visto isso, descartar fica fácil e pode parecer a melhor, se não a única, saída possível.

    Como resultado disso, surge uma certa indiferença, levando a relacionamentos cada vez mais superficiais e efêmeros; ou a uma eterna busca do amor romântico que, necessariamente, encontra novas impossibilidades.

    Os vínculos são essenciais, eles nos constituem e humanizam e numa relação saudável, ambos se reconhecem, se respeitam e se validam em suas individualidades. Será?

    “Afinal, a definição romântica do amor como “até que a morte nos separe” está decididamente fora de moda, tendo deixado para trás seu tempo de vida útil em função da radical alteração das estruturas de parentesco às quais costumava servir e de onde extraía seu vigor e sua valorização. Mas o desaparecimento dessa noção significa, inevitavelmente, a facilitação dos testes pelos quais uma experiência deve passar para ser chamada de “amor”” diz Zygmunt Bauman em seu livro intitulado Amor Líquido – Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos, onde ele explora de forma genuína os relacionamentos modernos entre os seres humanos.

    A forma das pessoas se relacionarem mudou? Mudou-se, em que mudou? Na sua forma ou na sua essência?

    Temos observado pessoas se comprometendo cada vez menos com o sentimento que deixa ser gerado em si e estimula que seja gerado no outro e a velocidade com que relacionamentos começam e terminam, sem qualquer questionamento. Se essa busca infatigável fosse amor, a compulsão a experimentar não frustraria esse propósito? Adquirem-se habilidades, mas o seu efeito não seria exatamente um desaprendizado do amor? Uma incapacidade para amar?

    Bauman nos recorda que, no Banquete de Platão, (texto conhecido dos estudiosos do amor) a profetiza Diotima de Mantineia ressaltou que “o amor não se dirige ao belo... dirige-se à geração em ao nascimento do belo”. Não é querendo coisas prontas, completas e concluídas que o amor encontra seu significado, mas no estímulo a participar da gênese dessas coisas e como toda a criação vem carregada de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo.

    Como podemos pensar nessa “criação” numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto pronto para uso imediato, a satisfação ou seu dinheiro de volta, resultados que não exijam esforços prolongados, garantias, seguro total? A parceria torna-se descartável, muitas vezes, usada uma só vez, sem preconceitos. Ao serem consideradas não plenamente satisfatórias, as “mercadorias” podem ser trocadas por outras.

    No Congresso Latino-Americano de Psicanálise, cerca de dois mil psicanalistas se reuniram para debater o papel do analista na contemporaneidade: quando o antigo já não existe mais e o novo ainda não se estruturou.

    Diz Nozek: “falta tempo para o ser humano olhar para a própria humanidade. Não conseguimos construir um acervo onírico, uma personalidade. Sonhar e adquirir um repertório cultural, poético, requer tempo. É isso que necessitamos para dar conta da vida. É um desafio dos analistas de hoje, muito diferente da época do Freud. O sofrimento atual é de outra ordem, a do vazio. O indivíduo sofre, mas não articula um discurso. Quem tem pânico, por exemplo, sequer sabe diferenciar se o sofrimento é psíquico ou corporal.... Estamos diante de um mundo novo. Que implica em novo corpo, sexualidade, ética e moralidade”.

    O ser humano continuou igual, enquanto o mundo sofreu um avanço tecnológico imenso?

    - O Pensar Sistêmico:

    Todas as partes de um organismo formam um circuito. Portanto todas as partes são começo e fim.

    O nosso direcionamento pessoal tem haver com nossas histórias familiares.

    Sistema é uma estrutura hierarquicamente organizada, em interação entre as partes e com o meio buscando o equilíbrio dinâmico.
    Um sistema é, então, composto de elementos. Mas isso não quer dizer que ele é a soma dos elementos. Ele é um todo não redutível a suas partes. O todo é mais do que forma global, ele tem qualidades emergentes que as partes não possuíam.
    As propriedades do sistema são mais e/ou diferentes da soma das propriedades das partes. O Todo é mais do que a soma das Partes.
    Qualquer sistema é parte de um supra-sistema ou macrosistema, que por si mesmo mostra todas as qualidades de um sistema. Supra-sistemas são também partes de um sistema de nível mais alto - "Supra-suprasistema", e assim ao infinito.
    Este processo contínuo de abrir e fechar, chamado regulação do limite, distingue os sistemas vivos dos sistemas não-vivos. Nos sistemas vivos, a função de abrir e fechar o limite é automaticamente controlada. Eles regulam entrada e saída para conservar estabilidade e para moverem-se na direção de uma organização mais complexas, para crescer, diferenciar funções e desenvolver subsistemas especializados.
    Os processos de conservar estabilidade (morfostase) e os processos de diferenciar-se, crescer, mudar (morfogênese) ocorrem simultaneamente e continuamente em todo sistema vivo. A interação desses dois processos é um equilíbrio de fluxo.
    O sistema está inserido num contexto, ou seja, nas circunstâncias específicas de Espaço e Tempo.
    A Tendência Integrativa faz com que o sistema (que passa a ser subsistema) fique integrado no todo, fique dependente.
    Pensar Sistemicamente é, pois, sair do reino das verdades estabelecidas, dos dogmas, para operar hipóteses, alternativas e aprendizagens novas.
    É buscar ver uma mesma situação de vários pontos de vista, procurando entender a forma como o todo e as partes se relacionam numa interação reciprocamente reforçadora e mantenedora da situação. É ir discriminando entre as semelhanças e diferenças.
    Pensar sistemicamente é ver a realidade de uma forma holística, circular. Isto traz formas diferentes de ver e lidar com a realidade no nível clínico.
    - A Pós-modernidade e a Terapia De Casal e Família
     Em Terapia Familiar, comumente se considera a família nuclear como sinônimo de família, e o casal como coluna de sustentação da família.
    “Grande parte da teoria clássica de terapia de familiar está baseada nesse pressuposto e deve ser repensada, na medida em que a família-protótipo dessa teoria representa uma proporção decrescente de “lares”, com aumento de famílias com um só progenitor, famílias binucleares e pessoas que moram sozinhas.” Kitty LaPerrière.
    Continuidades históricas são rompidas, os casamentos  são rompidos, muitas crianças crescem com só um dos pais e com uma sucessão de padrastos e madrastas e sem acesso a avós ou outros parentes. A luta pelo poder, competição, definição pessoal ênfase na auto-realização substituíram os elementos de cooperação, cuidado e etc.A decisão de ficar juntos (não necessariamente casar) é feita com o objetivo de obter o máximo de prazer e de crescimento pessoal, prestando pouca atenção à reciprocidade das obrigações, em condições de impasses ou adversidade(desemprego, doença) na vida pessoal ou do parceiro. Isso está acontecendo nos sistemas macrossociais em que vivemos, as regras mudaram! A família como sistema especial, à qual não se pode deixar de pertencer, mudou e nós como terapeutas de famílias precisamos rever alguns pontos, por exemplo:

    1) O Casal em formação

    É o casal que vive junto mas não avançam nem se separam ou o casal que repetiu a história com vários parceiros ou trocou de parceiros num ponto de decisão crítico.
    A função do terapeuta consiste em alivia-los e ajudá-los na escolha consciente e aceitação de ambos em: manter-se como estão,  separar-se ou casar-se

    2) As dificuldades de viver como casal.

    O casal aqui enfrenta problemas de insegurança relacionada à compreensão e representação dos papéis sexuais, com uma igualdade ideológica que distoa dos hábitos e expectativas do dia a dia.
    A função do terapeuta consiste em ajudar o casal a formular suas opiniões e convicções e seu comportamento e reações emocionais, para identificar as contradições e os conflitos, e encontrar uma solução. Ajudá-los a entendem que é preciso renunciar a certas expectativas.

    3) Ficar juntos ou separar-se

    Com a facilidade de se requerer o divórcio e a ilusão de “sair” do casamento é a solução, muito casal tem optado por esta decisão.
    O trabalho do terapeuta consiste em explorar as possibilidades alternativas dentro da estrutura do casamento, em desmistificar a ideia do casamento perfeito e da liberdade que se teria fora dele, em ajudar o casal a entender que a questão mais importante não é sair ou não do casamento e a não usarem a ameaça de ri embora como última cartada nas discussões.

    4) O casal que precisa de ajuda para se separar

    O medo e a dúvida de que vai conseguir sobreviver separado lev muitos casais a desenvolverem uma grande raiva e agressividade mútuas que levam à separação traumática para ambos e para os filhos. Muitas vezes ainda levam essa raiva para as novas relações.
    A tarefa do terapeuta é ajudar a entender que a sobrevivência separados é possível e que uma relação parcial de amizade e carinho pode-se desenvolver. Que a separação não tem a função de destruir mas pode, talvez, ensina-los a se ajudarem mutuamente.


    5) Novas relações – famílias binucleares

    Ocorre muitas vezes a exigência de um ou os dois cônjuges de que a nova estrutura familiar possa funcionar como uma família nuclear original. Conflitos entre os vínculos pais e filhos e a nova pessoa são comuns.
    O trabalho do terapeuta consiste em ajudar os vários membros da família a ver e entender que fazem parte de uma família nova e que os vínculos terão que se calmamente estruturados e reestruturados para que se possa estabelecer uma convivência saudável.

    As alterações nas funções, papéis e objetivos pessoais que vemos na pós-modernidade vem interferindo nas relações, criando, inclusive, novas configurações familiares que só vem aumentando a cada dia. Repensar o papel do terapeuta familiar também é fundamental. Atualizar-se constantemente deve ser nossa meta maior nos dias atuais e repensar novas formas de atuação dentro e fora dos consultórios com artigos, palestras, livros e outros meios de comunicação no sentido de refletir sobre os problemas que enfrentamos na atualidade e como criar relações reais possíveis e funcionais.

     

  • Dra. Rita Flórido


    Bowlby iniciou sua carreira como profissional de saúde estudando o efeito da privação e da separação materna nos filhos. A teoria do apego descreve e explica o trauma da privação, perda, rejeição e abandono por parte daqueles que mais necessitamos e o enorme impacto que isso causa. Bowlby verificou que esses estressores traumáticos e o consequente isolamento tem um impacto tremendo na formação da personalidade e na habilidade da pessoa em lidar com os outros estresses na vida.

    APEGO - 10 PRINCÍPIOS DA TEORIA DO APEGO

    1 – Apego é uma força Motivadora Inata

    A procura e manutenção do contato com outros significativos é um principio motivador, inato e primário nos seres humanos. A dependência (hoje considerada patológica em nossa cultura) é uma parte inata do ser humano e não uma ultrapassada característica infantil.

    2 – Dependência segura complementa a Autonomia

    Não existe independência completa dos outros e sim a dependência eficaz e a ineficaz. A dependência segura promove autonomia e autoconfiança.
    Saúde, significa manter um senso de interdependência.

    3 – Apego oferece um Porto Seguro

    A presença de figuras de apoio propicia conforto e segurança. A proximidade com a pessoa querida tranquiliza o sistema nervoso (Schore, 1994). É o antídoto natural para os sentimentos de ansiedade e vulnerabilidade, é um amortecedor contra os efeitos do estresse e da incerteza (Mikulincer, Florian e Weller, 1993).

    4 – Apego oferece uma Base Segura

    O apego seguro também proporciona uma base segura a partir da qual os indivíduos podem explorar seu universo e responder de modo mais adaptado o seu meio ambiente. Encoraja a exploração e a abertura cognitiva a novas informações (Mikulincer, 1997). Os indivíduos são mais capazes de buscar e dar apoio aos outros e de lidar com o conflito e o estresse de forma positiva.

    5 – Acessibilidade e Receptividade constroem vínculos

    Os tijolos dos vínculos seguros são a acessibilidade e a receptividade emocionais.
    Uma figura de apego pode estar fisicamente presente, mas emocionalmente ausente. O sofrimento pela separação advém da avaliação de que essa figura de apego está inacessível. O compromisso emocional e a confiança de que este compromisso estará lá quando for necessário é crucial.

    6 – Medo e Incerteza ativam as Necessidades de Apego

    Quando um indivíduo  está ameaçado (doença, ou agressão à segurança dos próprios laços de apego, um afeto poderoso surge, quando as necessidades de apego por conforto tornam-se salientes e urgentes e os comportamentos de apego, como a procura por proximidade, são ativados. O apego às pessoas-chave é nossa “proteção principal contra sentimentos de desamparo e ausência de significado” (McFarlane e van der Kolk, 1996).

    7 – O Processo de Sofrimento pela Separação é Previsível

    Se os comportamentos de apego falham em evocar a resposta de conforto e contato por parte das figuras de apego, ocorre um processo prototípico de protesto raivoso, agarramento, depressão e desespero, culminando, eventualmente, em desapego. A depressão é uma resposta natural à perda da conexão. Bowlby (1969, 1973, 1980) observou que, muitas vezes a raiva em relacionamentos próximos era uma tentativa de fazer contato com uma figura de apego inacessível e diferenciou a raiva de esperança da raiva de desespero, que se torna desesperada e coercitiva . Nos relacionamentos seguros, o protesto diante da inacessibilidade é reconhecido e aceito (Holmes, 1996).

    8 – Podem ser Identificadas Formas de Relacionamento de Apego Inseguro

    As respostas de apego parecem estar organizadas ao longo das duas dimensões, a ansiedade e a evitação (Fraley e Waller, 1998). Quando a conexão com uma pessoa insubstituível está ameaçada, o agarramento ansioso, a perseguição e, até mesmo, tentativas agressivas para obter a resposta da pessoa amada se agravam. A segunda estratégia é desativar o sistema de apego e reprimir suas necessidades. Uma terceira estratégia insegura foi identificada, como uma combinação de busca por proximidade com resposta de medo e evitação da proximidade quando esta for oferecida. Aqui, os outros são a fonte e a solução do medo.

    9 – O Apego Envolve Modelos Funcionais do Eu e do Outro

    As estratégias de apego refletem formas de processar e lidar com a emoção. As pessoas com apego seguro acreditam que os outros serão receptivos, quando necessário, e tendem a ter modelos funcionais dos outros como dignos e merecedores de confiança. Esses modelos envolvem objetivos, crenças, estratégias e estão impregnados de emoção. Modelos funcionais são formados, elaborados, mantidos e, o mais importante para o terapeuta da família e casal, transformados por meio da comunicação emocional.

    10 – Isolamento e Perda são Inerentemente Traumatizantes

    O apego é essencialmente uma teoria de trauma (Atkinson, 1997; Johnson, 2002).

     

  • Dra. Rita Flórido


    “A taxa de divórcios no Brasil subiu 200% entre 1984 e 2007, segundo dados da pesquisa "Estatísticas do Registro Civil 2007", divulgada nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No período, o índice passou de 0,46 divórcio para cada grupo de mil habitantes para 1,49 divórcio por mil habitantes. Em números absolutos, os divórcios concedidos passaram de 30.847, em 1984, para 179.342, em 2007”.

    Segunda tentativa

    “De acordo com o IBGE, o percentual de mulheres solteiras que se casaram com homens divorciados passou de 4,1% para 6,2% entre 1995 e 2005.

    Já o percentual de mulheres divorciadas que se uniram legalmente com homens solteiros cresceu de 1,7% para 3,1%. Os casamentos entre cônjuges divorciados também aumentaram de 0,9% para 2,0%.”

    Diante dessas notícias, inicia-se todo um estudo para repensar a constelação familiar atual dentro da área de Terapia de Casal e Família.

    Cada dia mais pessoas se divorciam do primeiro, do segundo e até do terceiro casamento deixando filhos destas relações. A maioria volta a se casar, crendo que o primeiro divórcio aconteceu por uma má escolha do parceiro ou outro problema. Casar de novo pode trazer consigo esperança em relação ao casamento e à família, mas também pode trazer muitos conflitos, especialmente no relacionamento entre madrasta/padrasto e enteados(as).

    Os maiores problemas apresentados nessas “novas” famílias não são problemas econômicos embora possam gerar muitos conflitos, mas, são as idéias tradicionais acerca do papel da mulher as fontes geradoras de maiores problemas.

    No caso do casamento entre um homem e uma mulher com filhos de relações anteriores, é sempre esperado que a mulher “entenda” as culpas e raivas do marido com relação ao primeiro casamento; “consertar” a infelicidade dos filhos dele, mesmo se eles a odeiam; enfrentar as intromissões da ex-mulher e as de seu próprio ex-marido, gerir a expectativa com relação ao relacionamento de seus próprios filhos e o padrasto e com o pai... esta mulher está fadada a tornar-se uma esposa insuportável e uma madrasta incapaz. É papel do pai introduzir a nova mulher na relação com os filhos e fazê-los respeitá-la e estabelecer as regras da vida em comum. Assegurar que ela não vai fazer o papel da mãe, deve ser amiga. O pai deve, também, estar certo que o novo relacionamento irá se instalar lentamente e deixar a ilusão que a relação será maravilhosa de início.
     Muito comum é o fato de a mulher entrar em competição com os filhos (e vice-versa) pela atenção do marido, o que, aliás, é motivo de freqüentes queixas em terapia. Nesses casos, também é importante a intervenção do pai, delimitando claramente o lugar e papel que cada um tem na nova família.
    De início a reações dos filhos são: Hipersensibilidade à mudanças, comportamento regressivo, rebeldia, dificuldades escolares, manipulação dos pais, lealdade aos pais verdadeiros, desejo que os pais se reconciliem.
    A reação dos adultos são: Culpa por sentir que fez os filhos sofrerem,  mimar demais os filhos em função desta culpa para evitar que eles sofram mais e não conseguir dar limites aos filhos.
    Preparação emocional para a nova família: Considerar que os filhos não desejavam esta mudança e são “obrigados” a grandes alterações em suas vidas, principalmente, caso ainda morem com os pais da família original; discutir com os filhos a entrada no novo membro na família; planejar a mudança de casa (se for o caso) com a participação dos filhos e também a mudança de escola; manter acesso fácil para o progenitor que não vive com a criança.
    Cuidados nessa fase de transição: Informar os filhos com antecedência do que vai acontecer considerando suas opiniões; estar atentos aos sinais de tristeza, de receio de abandono; nunca falar mal do progenitor que já não pertence à nova família, não satisfazer a curiosidade a respeito do ex-cônjuge através dos filhos após as visitas; dar atenção à relação entre os filhos e o novo membro casal; os filhos que não moram com a nova família não podem ficar de lado, sempre que possível o progenitor deve ter um tempo a sós com eles e procurar incluí-los, mas, o espaço conjugal deve ser preservado
    Com a nova família instalada é preciso saber que o processo de adaptação deve ser vivido com tolerância de todos e considerar que o risco dessa família se romper é maior – o percentual de divórcios nessas famílias é maior que a família do primeiro casamento, que sua complexidade aumenta o risco de disfuncionalidade.
    Existe uma complexidade nessas “novas” famílias que precisam ser tratadas, muitas vezes, com especialistas: psicólogos e terapeutas familiares. Não deixe os problemas se agravarem a ponto de ficar inviabilizada a recuperação.

     

  • Dra. Rita Flórido


    Nenhum outro transtorno que envolve o corpo é tão ligado ao psiquismo como os Transtornos Alimentares. A alimentação tem vínculo direto com o corpo, com as emoções e com a sociedade que cada indivíduo está inserido. Com o corpo, porque o peso corporal e a silhueta vão depender do que se ingere. Com as emoções porque principalmente a ansiedade leva o indivíduo a consumir mais alimentos; e, com a sociedade porque esta dita a forma corporal que é mais valorizada naquele lugar e naquele momento, atuando como pressão social que idealiza a magreza e tem preconceito contra a obesidade.

    A incidência e a prevalência dos Transtornos Alimentares cresceram ao longo da segunda metade do século XX. Esse crescimento deu-se por dois motivos: às pressões culturais nas sociedades industrializadas que enfatizava uma figura feminina esbelta, de formas quase pré púberes e, também a abundância dos alimentos, que passou a ser mais fáceis de serem adquiridos.

    Os Transtornos Alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo (caquexia) ou à obesidade, entre outros problemas físicos e incapacidades.

    São dois os principais Transtornos Alimentares: anorexia e bulimia nervosa, eles fazem o pessoa desenvolver uma relação doentia com a comida - ou empanturram-se com até 15 mil calorias em uma única refeição para depois colocar tudo para fora (caso da bulimia) ou ficam dias sem comer (na anorexia). Os portadores da doença também desenvolvem uma obsessão pela forma física e distorcem a auto-imagem a tal ponto que se sentem gordos mesmo estando com 38 kg. O resultado é a paulatina deterioração física e mental, que começa com sintomas leves como queda dos cabelos até complicações cardiovasculares, renais e endócrinas graves que podem levar à morte.

    A anorexia se caracteriza por: “A- recusa a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado à idade e à altura (por exemplo, perda de peso levando à manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado..., B – medo intenso de ganhar peso ou de engordar, mesmo com peso abaixo do normal, C- perturbação do modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influência indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto-avaliação ou negação do baixo peso corporal atual, D – nas mulheres pós-menarca, amenorréia, ou seja, ausência de pelo menos três ciclos menstruais consecutivos.” (DSM IV – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

    Temos ainda aqui, o tipo restritivo, onde o indivíduo restringe a alimentação e o tipo comer compulsivo/purgativo, que envolve uma forma de comer compulsivamente e/ou de purgação (auto-indução de vomito) ou uso de laxantes ou diuréticos.

    Há traços característicos da personalidade para a Anorexia Nervosa: preocupações e cautela em excesso, medo de mudanças, hipersensibilidade e gosto pela ordem.

    O tratamento: raramente procuram ajuda de um profissional por conta própria, limitam-se a queixar-se de sintomas físicos ou psicológicos conseqüentes da inanição, tais como intolerância ao frio, fraqueza muscular ou perda de energia, constipação, dor abdominal e lentificação mental. É aconselhável uma abordagem multidisciplinar: médico, médico psiquiatra, psicólogo (terapia individual e de família) e nutricionista.  Dependendo da gravidade vai exigir internação hospitalar.

    Atenção para os índices de recuperação!!!! Cerca de 45% dos pacientes tem resultado bom, cerca de 30% tem resultados intermediários (continuam enfrentando dificuldades), cerca de 25% tem um mal resultado e raramente conseguem atingir um peso normal. De 5 a 10% com anorexia nervosa morrem em conseqüência das complicações.

    A Bulimia Nervosa se caracteriza por: “A episódios de comer compulsivo: (1) ingestão, em um período limitado de tempo (por exemplo, duas horas) de uma quantidade de alimentos nitidamente maior do que a maioria das pessoas consumiria durante um período similar e sob circunstancias similares; (2) um sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio (por exemplo, um sentimento de incapacidade de parar de comer ou de controlar o que ou quanto está comendo), B – Comportamento compensatório inadequado e recorrente, com o fim de prevenir o aumento de peso, como a auto-indução de vômito, uso indevido de laxantes e/ou diuréticos, e, jejuns ou exercícios excessivos. C – o comer compulsivo e os comportamentos compensatórios inadequados ocorrem em média pelo menos duas vezes por semana, por três meses, D – a auto-avaliação do indivíduo é indevidamente influenciada pela forma e peso do corpo, E – o distúrbio não ocorre exclusivamente durante episódios de anorexia nervosa”. (DSM IV – Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais).

    Existe o tipo purgativo, onde o individuo se envolve na auto-indução de vômitos ou no uso de laxantes e diuréticos e, o tipo não-purgativo, onde o indivíduo usa outros comportamentos compensatórios tais como jejuns ou exercícios excessivos.

    Bulimia vem do grego que significa “fome de boi” o que caracteriza bem o transtorno.

     Os traços característicos da personalidade para a Bulimia Nervosa seriam: Impulsividade, desorganização, preferência pelo novo, fácil desmotivação, extroversão, preocupação com modismos.

    O tratamento envolve, também, vários profissionais como médico, médico psiquiatra, psicólogo (terapia individual e de família) e nutricionista.

    Os fatores de risco da Anorexia Nervosa e da Bulimia: - Meninas adolescentes e adultas jovens de classe média e média-alta; - Meninas que aspiraram trabalhar em atividades que privilegiam e enfatizam o estado de magreza do corpo (atores, modelos, bailarinas e desportistas); - Ex- gordas ou com excesso de peso que se tornam obsessivas por práticas freqüente de dietas; - História familiar de transtorno obsessivo-compulsivo; - Baixa auto-estima, expectativa de grandes desempenhos (feitos), perfeccionismo, insegurança no relacionamento social, dificuldade em identificar e expressar sentimentos;

    É frequente a comorbidade de transtornos alimentares com transtornos de humor, transtornos de ansiedade e dependência química.

    Atualmente acha-se em estudo uma terceira categoria comum de Transtorno Alimentar; o Transtorno do Comer Compulsivo ("binge-eating disorder"), na qual os pacientes apresentam episódios de voracidade fágica (episódios bulímicos) mas não  se utilizam de métodos purgativos depois, como acontece na Bulimia Nervosa.

    No Transtorno do Comer Compulsivo também não há preocupação mórbida e irracional com o peso e a forma do corpo, assim como acontece na Bulimia e na Anorexia. Estes pacientes são na maioria das vezes obesos e parecem se distinguir de obesos que não apresentam esses episódios de comer compulsivo por apresentarem mais co-morbidade psiquiátrica e pelo fato da obesidade ser de maior gravidade.

    É importante os familiares ficarem atentos a quaisquer dos sinais e sintomas descritos, pois, como para a pessoa que sofre do problema isso não é um transtorno ela não procurará soluções por si só.